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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Entrevista com Bito Meyer, uma lenda do montanhismo brasileiro

Bito na conquista da Cães e Caravanas em 2008

Entrevista com Bito Meyer, uma lenda do montanhismo brasileiro

Por Filippo Croso 11/03/2008
Portal Webventure
http://www.webventure.com.br/bike/conteudo/noticias/index/id/21903?pag=1
Na quarta feira, dia 05 de março, O CAP (Clube Alpino Paulista) recebeu Bito Meyer, que fez uma palestra sobre sua trajetória de 40 anos de escalada (ele tem hoje 50 anos de idade).Pude presenciar uma das palestras mais envolventes que já estive, com histórias de vida, espírito de comunhão com a natureza e a montanha, e o grande desconhecido interior.A foto de um movimento de escalada podia passar rápido, mas a foto do Bito com seus 20 anos de idade, viajando em cima (do lado de fora) do trem da morte na Bolívia, permaneceu um tempo, enquanto ele relatava aquele estado de espírito de buscar o "lado de fora", de descobrimento e criatividade, que é tão característico de quem escala.Apaixonado pela escalada solo, Bito é o exemplo de uma pessoa que vive e pratica a sua filosofia de vida, com simplicidade e coração, espiritualidade e desprendimento, e em plena atividade (conquistou recentemente a via Cria Cuervos D6 7º E5, 1200m, na Pedra Riscada, e solou pela segunda vez a via Leste no Pico Maior de Friburgo, vinte anos depois da primeira, no final de 2007).

Acompanhe a entrevista exclusiva com o montanhista:

Webventure: Como foi seu primeiro contato com a escalada?
Bito Meyer - Eu tinha 10 anos e foi no Pico do Marumby (PR) e foi uma experiência marcante, literalmente uma "aventura", que mexeu com minha cabeça na época.

Que tipo de escalada você mais gosta de fazer?
A que me leva a um cume e que exige de todo o meu ser e não só de meus músculos e meus equipamentos, que seja uma relação e um diálogo com a montanha e com todo o seu universo.

De que forma a escalada e o montanhismo contribuíram na sua vida e em sua formação como pessoa?
Na realidade a montanha contribuiu comigo na qualidade de "aprendiz de vida", me fez perceber o grande playground em que nascemos e onde o homem errou na sua trajetória em cima deste planeta e principalmente que vida e morte vêm embrulhadas juntas e no mesmo pacotinho.

Pegando 20 ou 25 anos atrás e os dias de hoje... o que mudou na escalada, e o que continua o mesmo, tanto em você como no meio montanhista?
Acho que podemos até pegar ainda mais atrás... para o montanhismo, a escalada sempre será uma das técnicas a ser usadas para se chegar ao cume de uma montanha e acompanhará a evolução da escalada em si, pois escalar bem e rápido sempre será uma forma de se manter seguro em uma montanha. A escalada em si é igual como antes, sendo que atualmente o grau subiu, o equipamento evoluiu e talvez o que tenha mudado é que o escalador moderno escale sem camisa para mostrar seu maior legado que são seus belos músculos e também ao fato de que hoje em dia tem várias "minas" escalando. E quanto a mim, sou cada vez mais apaixonado pela oportunidade de descobrir o lado de fora.

Alegrias, frustrações e a nova geração

O que é escalar bem para você?
É quando você consegue ser uma manifestação da arte, é quando não existe o eu, o ego, o vir a ser, e sim só a manifestação da arte.Como a idade influencia na escalada? Muitas pessoas sentem a limitação física e se tornam mais conservadoras, também porque constituem família, etc.
Como escalar bem, do ponto de vista físico e psicológico, acima dos 50?
Essa é uma pergunta muito complexa e eu não saberia respondê-la em poucas palavras, porque envolve a fragilidade humana na sua essência e teríamos que saber até onde o risco influenciaria a prática de uma arte, e até onde a idade é um fator essencial para a perfeição. Eu não enfrentaria um velho que há 50 anos exercita e pratica artes marciais e por outro lado dificilmente um homem sábio que conheceu o amor e que possui uma família se arriscaria a ponto de faltar para ela, pois "ela" é o essencial.
Como você se relaciona com a nova geração?
Sinceramente... não conheço ninguém que tenha começado a escalar antes de mim que ainda esteja escalando e no mesmo nível que eu e com o mesmo tempo. Este detalhe me torna o sul-americano mais velho em atividade e em anos "na ponta da corda", acho que são as novas e constantes gerações que foram passando na minha frente que poderiam responder essa pergunta. Eu particularmente sigo em frente, minha relação é com as montanhas. Por outro lado, as novas gerações serão sempre bem vindas pois é a arte quem os escolhe para através deles se manifestar, uns ficam por algum tempo, outros para sempre.
Qual a sua rotina de treinos? Como você se prepara antes de uma escalada?
Tenho o corpo malhado e cozido pelos anos de tanto ralar por aí, é tanto tempo dependurado que já tenho um pré "malho" estabelecido, por outro lado tenho o apoio da Casa de Pedra que me possibilita um acesso ao que de mais moderno existe para treinos de escalada no Brasil e tenho o acompanhamento de Karina Filgueiras, que é minha treinadora física, e prático biomecânica funcional, além do que sou bem-vindo pelas montanhas, total, sou uma "cria" delas...

Quais foram suas escaladas mais marcantes?
Descreva algum, ou alguns momentos especiais que você passou.Foram tantos, e todos na sua maioria foram marcantes, chegar ao cume das montanhas da Patagônia, ou minha primeira montanha, meu primeiro cume, meus primeiros 6º e 7º graus foram alucinantes, meus primeiros e último solo, meu primeiro tênis de escalada de verdade há 30 anos atrás, minhas primeiras conquistas e derrotas, minhas primeiras escaladas no Itatiaia e Rio de Janeiro, em 1977, e Agulha do Diabo neste mesmo ano. Putz..., Baú, Ilimani, Morro do Anhangava, Floripa, El Capitan... Interminável!

E alguma tristeza, alguma escalada que teve que abandonar?
Nossa... Só de lembrar já fiquei triste. É não poder mais mandar (sem ser em top rope, devido ao problema que tenho no joelho) o Midnight Lightning (o mais famoso boulder da história, localizado no Camp 4 -Yosemite).

A vida e a montanha

Qual o seu local favorito no Brasil? Por quê?
Não tenho o local preferido, no Brasil ou em outro país. Meu lugar preferido é o do "lado de fora".

Você teve um acidente sério durante um vôo de parapente. Quando foi e o que aconteceu? Como isso repercutiu na sua escalada?
Logo que chegaram ao Brasil os parapentes, saltávamos dos picos sem pára-quedas de socorro ou outro tipo de acessório de segurança. E em um desses vôos, um vento atrapalhou meu pouso e quebrei a perna e por dois anos atrapalhou minha escalada em tudo... hoje com o joelho rígido mando o grau que eu quiser e minha escalada é admirável.

A via mais recente que você abriu é a Cria Cuervos (D6 7º E5, 1200m), na Pedra Riscada.Conte-nos um pouco desta experiência, os aprendizados, as melhores lembranças.
Esta via é punk... Largos cheios, sem nenhum grampo, mil e tantos metros acima de qualquer conforto, lá na casa do chapéu (1400 km de Curitiba), cinco viagens para concluir a via, muito e muito esforço, cargas de água, comida, diversão e ferramentas, carrapatos, sol a pino, geadas e tormentas, muita responsabilidade, maturidade e insanidade, grana, tempo, suor e sangue...Yeah!... Perfeito.

Que lugar ainda não foi e gostaria ir?
São tantos, que faço de onde estou o melhor lugar e dos primeiros passos do dia, minha melhor caminhada.

Onde e quando é a sua próxima escalada?
Minhas escaladas não vem do desejo ou da manifestação do ego ou do querer, são frutos de uma fonte seca, eu simplesmente sento e espero... uma hora verte. No momento a fonte está seca.

Melhor livro e filme de montanha que já viu?
Bom, em particular eu recomendo a todo montanhista que quer ter alguma referência mais significativa, que conheça o pensamento de Reinhold Messner, mas o melhor livro sobre montanhismo que li foi "Os Conquistadores do Inútil", de Lionel Terray. Ali está a essência de algo muito delicado que é a imensidão humana. E o filme foi "Extremo Sul", pela capacidade dos diretores em recuperar o que estava perdido, por mostrar a maneira de como não se escolher os companheiros e de como não praticar montanhismo, e também e o mais importante, do poder de uma montanha sobre exércitos e homens.

Você nunca esteve muito presente na mídia. Até na comunidade escaladora me parece que você nunca estava no centro das atenções, mesmo tendo realizado várias ascensões significativas. A que se deve esse fato, ou essa escolha?
Quando eu era um garoto eu já descobrira a "marcialidade" e a espiritualidade que existe na relação do homem com a escalada e com as montanhas. Daí então, minha relação tornou-se direta com a "Arte" e suas "manifestações". Eu queria para mim o que estava contido naquele frasco. As pessoas que estão em evidência ou precisam de atenção, tem algum problema ou estão vendendo algo e não é meu caso. As pessoas interessantes do montanhismo, geralmente não estão na mídia, estão em casa com suas coisas e os seus.

Existem escaladas praticamente risco zero e escaladas de risco elevado, por mais que se esteja preparado.O que o risco representa para você?
O risco é um ótimo tempero para quem quer amadurecer, se conhecer e evoluir. Nos expondo, nos revelamos... nos descobrimos... Quando dois samurais se defrontam, é o conhecimento que saca e maneja a espada.

O montanhismo brasileiro está evoluindo? Quais os pontos positivos, e o que você sente que falta?
O Montanhismo é o nome da "influência" que as Montanhas exercem sobre os homens, portanto, sempre será atual, já o "Montanhista Brasileiro" esse ainda é bastante ingênuo.

Quais os seus projetos futuros?
A vida é um "Vôo de Catapulta" (nome de minha nova via), eu ainda me sinto mais propulsado, do que sinto empuxo. Estou topando todas, injeção embaixo da pálpebra e "passagem só de ida pro lugar errado". Há muita coisa a ser feita, muitos convites e oportunidades, tem que pular no rio para conhecer seu trajeto, estou no meio de um grande rio.Alguma mensagem que gostaria de deixar?Tudo a seu tempo... apesar de toda a violência, a vida é uma grande dádiva, é uma oportunidade única, e a escalada e o montanhismo nos ajudam na nossa trajetória sobre este planeta... Obrigado.

Personalidades e História Bito Meyer, histórias e conquistas de um expert, uma lenda do montanhismo


Personalidades e História
histórias e conquistas de um expert

Portal Altamontanha.com
http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=592

Bito Meyer - uma lenda do montanhismo

Bito Meyer que já escalou e conquistou centenas de vias, em todo o país e no exterior ao longo de mais de 40 anos de experiência em montanha, é uma das lendas do montanhismo nacional e sul americano
Bito Meyer foi um dos primeiros brasileiros a escalar montanhas de extrema dificuldade como o Fitz Roy, Cerro Torre e Agulha Poincenot (um dos recordes de velocidade de ascensão mantidos até hoje) na Patagônia, Bolívia, El Captain nos EUA e a ter conquistado em terras brasileiras centenas de vias de escalada por todo o país.
Bito Meyer continua realizando grandes conquistas, como por exemplo a face sul da Pedra Riscada (Veja matéria:
www.brasilvertical.com.br), que é o 5º maior monolito do planeta. A conquista da Via "Cria Cuervos" (7 E5 D6) com seus 1200m de parede que foi realizada ao longo de cinco anos e segundo o próprio Bito foi a via mais difícil e arriscada que ele já conquistou até hoje.
A nova geração de montanhistas deposita grande respeito e admiração por Antônio Carlos Meyer, ou simplesmente Bito, tido como um dos grandes nomes do alpinismo no Brasil. Bito nasceu em Curitiba, em 5 de julho de 1957, filho de Albino Meyer e Odila Meyer, e traz seu apelido, desde os tempos de infância recebendo por ser "meio pesado", o apelido de Chumbito que mais tarde, graças à mania nacional de abreviar tudo, resultou no atual Bito. Até os treze anos de idade, viveu em Alegrete, Rio Grande do Sul, onde vivia em constante contato com a vida ao ar livre, o campo, a fauna e a flora local.Certa ocasião acompanhou o pai numa pescaria, fato que acabou se tornando na faísca que faltava para incendiar a fogueira. Daí para frente a sede de mato era tanta, que resolveu ingressar no escotismo, onde permaneceu alguns meses, até descobrir, que sabia mais que eles. Mais tarde voltou para Curitiba, dando continuidade aos seus estudos. Em janeiro de 1970, num belo fim de semana, resolveu conhecer, em companhia de três colegas, o então desconhecido (para eles) Marumbi. O quarteto resolveu subir o Abrolhos, num passeio que prometia ser um sucesso, se não fosse o fato de na descida, terem entrado na picada do rio seco, que obrigou o destemido quarteto a mais de seis horas de penosa caminhada até chegarem a Estação do Marumbi. Naquele dia, Bito jurara, por tudo que é santo, que não voltaria mais ao Marumbi.De fato, como todo montanhista que se preza, no dia 14 de março voltava ao Conjunto e fazia a sua primeira escalada "técnica", a Bandeirantes no mesmo Abrolhos.Em meados de 1970, Bito e mais alguns amigos, resolveram conhecer o Anhangava. Saíram de Quatro Barras, traçando uma linha reta até algumas paredes que viam a distância e que não tinham a certeza ser o Anhangava, pois ninguém em Quatro Barras, sabia onde era o tal morro Anhangava. Os nativos apenas conheciam o morro da Santa. Na falta de informações mais precisas, saíram transpondo fazendas, casas, riachos, correndo de cachorros, até chegarem as almejadas paredes. Esgotaram todas as possibilidades que as pedras ofereciam escalando sempre com segurança de cima, pois a maioria das vias escaladas não estavam grampeadas.
Daí para frente, não sossegou mais tendo virado todos os cantos da Serra (Serra da Prata, Pico Paraná, Arenitos de São Luiz do Purunã, algumas grutas, etc...) e que culminou com a 1ª Expedição Brasileira em 1973, ao Pico Illimani (Face Oeste) na Bolívia, onde escalou gelo pela primeira vez, acompanhado dos amigos Danilo, Leonel, Inglês. No Brasil, conheceu quase todas as montanhas escaláveis incluindo à "Pássaro de fogo" no Rio de Janeiro, tida como uma das escaladas mais difíceis no Brasil.
Bito é um incansável defensor da "escalada com segurança de cima", pois acredita que este sistema de escalada oferece mais vantagens do que as rotas pré-estabelecidas (grampeadas). A escalada com segurança de cima, oferece condições supremas e de todos os níveis aos montanhistas, que precisa seguir uma linha prefixada, ganhando assim mais liberdade nos movimentos, que por conseqüência tornam-se estes movimentos mais harmônicos. Com este sistema, o montanhista pode escapar naturalmente das situações que a pedra lhe impõe, de acordo com sua situação, condição e capacidade afinal, "a montanha não é um inimigo a enfrentar e sim um amigo a freqüentar".Bito cita o caso da via Principantes (no Anhangava), escalada que muitas vezes subiu em livre com segurança de cima, sem maiores dificuldades, até que um dia colocou-se um verdadeiro paliteiro no local, desvirtuando uma belíssima rota natural. Bito, vêm de um tempo, onde o importante era escalar e conquistar, pouco importando se batia ou não grampos. Hoje em dia, existe a mania de considerar rota conquistada somente as grampeadas, que muitas vezes levam nomes pomposos, e que nem sempre são concluídas, porque seus autores não conseguem entender que alpinismo não é uma coisa doméstica.
Alguns montanhistas infelizmente estão mais interessados em publicidade em torno de seus nomes, em entrarem para a posteridade batizando alguma escalada, do que propriamente, em escalar.Na década passada, Bito recorda-se que o montanhismo era feito "meio na louca", laçava-se grampo, amarrava-se corda na cintura, usava-se de tudo que é meios e artifício para subir, todo mundo se bitolava no Anhangava. Nesta época conheceu Leonel Mendes, com quem iniciou uma parceria que perdurou por muitos anos. Leonel na época, não praticava alpinismo com freqüência, mas tinha sólidos conhecimentos de tudo que se passava no montanhismo europeu e americano, através de revistas e periódicos que recebia.Assim começou uma espécie de intercâmbio de informações onde Leonel entrava com os conhecimentos técnicos e Bito com conhecimentos práticos. A dupla tinha uns lances pitorescos, pois quando iam a montanha, invariavelmente um vestia uma camiseta verde, e outro uma camiseta amarela, o que naturalmente provocara risos e gozações por parte dos colegas. Engraçada ou não, a dobradinha verde-amarela era incansável, e entre outras escaladas fizeram todas as fendas da Esfinge, a Oeste em todas as suas formas e todas as escaladas do Parque do Lineu, também foram escaladas por Bito em solo.A dupla, além de esforçada tinha grandes ideais, pois almejavam atualizar o montanhismo paranaense, colocando-o entre um dos melhores do mundo. Mas esta pretensão, era no sentido de não se submeterem. Bito em muitas ocasiões chegou a passar a imagem de arrogante, por suas posições neste sentido.Esta vontade ferrenha de evoluir e melhorar, levou Bito a pensar na criação de um clube onde aficcionados do esporte, pudessem conversar, trocar idéias e se atualizar. Bito recorda que era frustrante ver os jovens da década passada irem para o Marumbi, passarem seu tempo entre "bebedeiras e mulheradas" enquanto os veteranos dedicavam-se as suas caminhadas, que tampouco interessavam aos jovens. É verdade, que este problema existe hoje em dia, mas com uma diferença fundamental, que entre as "mulheres e bebedeiras" existe um bom grupo de jovens interessados e que praticam alpinismo.O Clube Paranaense de Montanhismo nasceu de uma brincadeira de crianças, um sonho, que aos poucos foi ganhando contornos de realidade. O Clube, passou alguns anos sem ter existência jurídica (estatutos registrados, atas, etc...) mas tinha existência física. Deu-se o nome, criou-se o distintivo, que aliás, foi extraído de um Clube de Montanha do Canadá. Para que o distintivo não fosse exemplo de um plágio gritante, providenciou-se algumas mudanças trocando-se a neve que existe no original por nuvem, e o pinheiro canadense por uma regionalíssima araucária. Bito acha que o Clube atualmente, atingiu uma proporção difícil de acompanhar, talvez por estar afastado algum tempo do Clube pois mora em outro Estado. Mas, apesar de não poder sentir toda a realidade em torno do CPM, acha que o Clube está bem assessorado, e tem bons amigos, como a ADEA, ITC, SUREHMA, SECRETARIA DO INTERIOR entre outros, e isto é muito promissor.Quanto aos sócios, sentiu que a gurizada (que me desculpem) está muito devagar. Falta pique pra moçada. Outro problema é a desunião, formação de alguma "panelinha", autoridade no sentido de ter que esperar uma ordem para aprender, quando a pedra está ali, bastando apenas ir a ela. O pessoal confunde alpinismo com "boulder", que não passa de uma brincadeira para passar o tempo. Quem sobe o meio fio de uma calçada, ou tropeça numa pedra está fazendo "boulder". Que não fiquem perdendo tempo, medindo quem tem melhor técnica pois de nada adianta saber fazer um 10º grau Sup. Se não consegue transcender o menor amor por aquilo que está fazendo.Bito, sempre soube se relacionar muito bem com os jovens, por isso, ao término desta entrevista, solicitamos, que transmitisse um pouco de sua experiência a nova geração de montanhistas, através de algumas palavras. Finalizou esclarecendo que a base de seu entendimento com os jovens, sempre foi o respeito recíproco, e não ficar "podando" os meninos, cada vez que tentam externar sua vontade, não o seguissem, e tampouco copiassem outros alpinistas. Usem de toda a sua espontaneidade e liberdade para criar. E acrescenta, que não coloquem ninguém em pedestais distantes demais, pois a distância acaba impedindo de ver, do que esta pessoa é feita.

Só se aprende a escalar indo a pedra, de outra maneira a coisa não acontece. Ir a um Clube não basta, mesmo porque um Clube somente será de montanha, à medida que seus sócios freqüentarem a montanha. Vençam suas próprias limitações, quebrem seus próprios recordes, lembrando que só vai ser alpinista, quem estiver na pedra. Quando descer, enrolar a corda, a coisa transforma-se em papo e marola. Stamm* já dizia, quem quer escalar "pega a mochila e se manda". Atualmente Bito Meyer reside em São Paulo e mantém junto com Karina Filgueiras o site especializado em escalada Brasil Vertical.

"Eu escalo, simplesmente jogo o jogo, e não como se fosse uma penitência, mas sim, como uma dádiva."

Bito Meyer

Fontes: CPM - Boletim Informativo Bimestral nº 06 - maio/junho de 1985; Site Brasil Vertical*Rudolph Stamm - Um dos grandes nomes do montanhismo paranaense, um dos conquistadores do Pico Paraná, entre outras montanhas do estado.